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Do ARG ao JERA

Há alguns posts atrás apresentamos o que é um ARG e alguns casos de sucesso, hoje, vamos apresentar como fizemos para usar as estratégias do ARG na educação. Como fizemos adaptações, evoluções e abduções para transformar essa ferramenta lúdica em educacional. Já que tivemos que modificar as regras do jogo, decidimos também mudar o nome dele, de ARG para JERA, Jogo Educacional de Realidade Alternativa. Dessa forma, podemos padronizar nossa compreensão sobre essa estratégia lúdico-educacional.
O primeiro aspecto reconstruído foi a narrativa, diferente de ARGs tradicionais, o JERA precisa tomar alguns cuidados extras, especialmente na questão do antagonismo e adversidades. No final da experiência, não podemos transformar um professor, funcionário ou grupo, em adversário, apesar de ser uma história ficcional, alguns alunos podem confundir o papel dos personagens com as pessoas que as interpretam. As ações que dificultam e estimulam o aluno, precisam de motivações claras e com justificativas que não transformem o personagem em vilão.
Outro problema enfrentado são as restrições físicas impostas por um ambiente escolar. Apesar de comum em muitos ARGs, não é possível fazer mudanças no ambiente para evitar danos ao patrimônio. Isso significa que adesivos, mensagens em paredes, reposicionamento de objetos e outras formas de comunicação comuns em ARGs são restringidas. A narrativa deve ser construída com base no que já está presente no local.
Os desafios do JERA são o cerne da questão educacional, cada etapa do jogo deve conter elementos pedagógicos que ajudem na formação do aluno, sem que a diversão seja deformada para suportá-los. A principal estratégia utilizada para criar desafios é buscar relações entre os conhecimentos básicos e problemas do cotidiano.
Desafios com criptografia matemática ou mensagens subliminares escondidas com erros de ortografia são bons exemplos de como adequar um desafio com um conteúdo pedagógico preservando a identidade do JERA. Em nossas experiências a coleção de livros Desventuras em Série e o volume único Tão Forte e Tão Perto foram de grande ajuda para nos guiar na formulação dessas atividades.
Uma das mudanças mais importantes entre ARGs tradicionais e o JERA se encontra na dificuldade dos desafios apresentados e no tempo de implementação dessa atividade lúdica. É muito difícil estabelecer um cronograma em um ARG e os desafios propostos costumam ser de extrema dificuldade. No JERA, porém, a atividade é restrita à crianças ou adolescentes de determinada faixa etária e, precisa ter uma data de início e término pré-estabelecida.
Alcançar esse objetivo passa a ser possível apenas inserindo elementos narrativos para controlar o tempo mínimo e máximo que os alunos podem dedicar à cada fase da atividade. No JERA, os alunos recebem novos desafios em momentos específicos, independente de seu sucesso nos anteriores. O lema do JERA é “não deixe alunos para trás”, assim todo desafio possui vários níveis de dicas, para que todos possam resolver. Dessa forma, mesmo o aluno com mais dificuldade tem a oportunidade de resolver os desafios, mas tem uma desvantagem com relação aos que os resolvem mais rapidamente.
Com os critérios de tempo e dificuldade é possível balancear o nível de exigência do JERA, para que todos se divirtam. Esse jogo é um “non zero sum game” ou seja é um jogo em que é possível que todos ganhem. Talvez não haja prêmio a todos, mas como todo jogo educacional a incorporação de conteúdos e habilidades são os verdadeiros troféus.
Há considerações na criação do JERA que em ARG não são relevantes, é necessário lembrar que o espaço do jogo é uma escola e que os participantes em geral são crianças. Por esse motivo é importante se preocupar com a reação dos alunos, participantes ou não. Quem poderá participar? Como evitar que outros alunos atrapalhem a atividade? Como evitar críticas ou sabotagens por parte de alunos insatisfeitos? Como professores e funcionários vão reagir à determinadas ações dos alunos como trapaças ou desinteresse pelas atividades.
Não é possível esgotar todas as releituras que foram realizadas na construção do JERA em um único post, mas já é possível ter uma ideia do caminho adotado para essa transformação. Não existem muitas experiências com o JERA, mas com esse esforço de documentar e metodizar as estratégias, é possível aumentar o número de aplicações deste tipo de experiência lúdico-educacional.

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