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Jogos para cegos: Apoiando a inclusão

Associamos jogos modernos à jogabilidade e gráficos avançados, revoluções gráficas ditam tendências do mercado. Desenvolvedores de jogos investem muito em qualidade gráfica, até mais que em ferramentas interativas. Criar um jogo bonito é mais fácil, seguro e lucrativo que criar um jogo com jogabilidade requintada. Contudo, esse cenário ignora milhões de jogadores em potencial com dificuldade em lidar com ferramentas gráficas.
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) em 2014 cerca de 285 milhões de pessoas possuem algum tipo grave de deficiência visual. Só nos Estados Unidos, 2% da população é incapaz de experienciar a maioria dos jogos e outros 9% podem jogar, porém com grande redução na qualidade da experiência.
Inicialmente, deficientes visuais possuíam pouca dificuldade de acessibilidades graças à prevalência de jogos de texto auxiliados por tecnologias OCR capazes de transformar texto em áudio. Jogos de aventura como Zork, Decwar e HAUNT dominavam o mercado. O problema de acessibilidade surgiu apenas com o advento de interfaces gráficas.
Surge assim a necessidade de criar os chamados jogos acessíveis. Entre jogos acessíveis, existem quatro subcategorias: áudio-jogos, jogos de um botão, jogos de acessibilidade universal e jogos para pessoas com dificuldade de aprendizagem. Cada um destes tipos de jogo possui desenvolvedores dedicados a oferecer uma quantidade de títulos cada vez maior à um público fiel que aguarda ansiosamente cada novo jogo.
Os áudio jogos são as produções desenvolvidas pensando em jogadores com restrições visuais. Esse tipo de jogo cria ambientes que permitem ao jogador compreender desafios e interagir com o jogo por meio de efeitos sonoros e, as vezes, vibrações no controle. Audio Game Hub é um conjunto de jogos que utilizam o áudio como aspecto central da jogabilidade, apesar de possuir interface gráfica e apoio visual em todo jogo, é possível navegar pelo menus, jogar e conhecer os resultados apenas com mensagens sonoras.
Blindscape é exemplo de um áudio jogo que nem sequer possui uma interface gráfica. Contado a história de um homem que após ser punido, por cometer crimes contra o Estado, perde a visão e precisa seguir sua vida. Sem botão de pause ou para sair, Blindscape é uma experiência sonora com duração de 15 minutos.
No Brasil os jogos acessíveis também são desenvolvidos, Madness’s Daze foi criado por uma empresa brasileira com foco em jogadores com restrição visual, o jogo conta a história de uma jovem fugindo de um manicômio recheado de monstros e demônios.
Áudio jogos não se restringem a exploração e quebra cabeças, Nebula, criada pela empresa brasileira Gray Company, é um jogo de nave estilo arcade, onde deve desviar de tiros e asteroides que se aproximem da sua nave.
O mercado passa aos poucos a reconhecer em jogadores com deficiências visuais um público em potencial. Ferramentas de acessibilidade aproximam deficientes visuais de jogos modernos. Esses jogadores se interessam por jogos e se esforçam para poder experimentá-los. Exemplo disso é o caso do jogador que por 5 anos se esforçou para terminar Zelda: The Ocarina of Time utilizando os efeitos sonoros para se movimentar pelo espaço tridimensional.
Um jogo que contribui para uma maior representatividade de deficientes visuais em jogos é Perception, jogo de terror criado pela equipe responsável pelo popular jogo Bioshock. Em Perception, a protagonista Cassie é uma jovem cega com a habilidade de ecolocalização, munida de seu bastão e smartphone explora uma antiga casa para solucionar o mistério que a cerca. O jogo foi financiado por meio do Kickstarter e arrecadou mais de 170 mil dólares para sua produção.
Jogos digitais são uma das mídias de entretenimento mais populares entre a novas gerações o que torna a inclusão de deficientes visuais cada vez mais importante. Há questões sérias de representatividade e acessibilidade a serem resolvidas. Com uma população mundial envelhecendo, principalmente em países desenvolvidos, a quantidade de deficientes visuais tende a crescer e essa questão passa, aos poucos, a se tornar uma prioridade na indústria.

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