O que escolas federais podem nos ensinar sobre tecnologia e o que escolas particulares precisam aprender?

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O que escolas federais podem nos ensinar sobre tecnologia e o que escolas particulares precisam aprender?

Você já se perguntou quanto o investimento em educação está dando em retorno para o aluno? Educação não é uma ciência exata e resultados nem sempre são proporcionais ao investimento realizado. Mesmo com investimentos infindáveis na educação, existe um limite potencial no crescimento da qualidade de ensino. Contudo, há recursos que melhoram a orientação dessa linha de crescimento, assim fazemos a pergunta: “seria investimento em tecnologia uma boa escolha para otimizar o desempenho da educação?”
Em 2016 foi publicado o relatório sobre educação PISA, comparando o nível dos alunos de mais de 50 países em três diferentes áreas, Leitura, Matemática e Ciências. Entre os dados apresentados o comparativo de desempenho entre escolas públicas e privadas brasileiras demonstrou que um aluno em escola pública municipal ou estadual está em média 90 pontos atrás de alunos de escolas particulares. Contudo, os alunos de escolas federais lideram o rank nacional de desempenho, com 30 pontos de vantagem.
Mas o que isso representa? Alunos da rede federal estão acima da média mundial nos conteúdos de matemática e ciências e ligeiramente abaixo, apenas dois pontos, nas avaliações de leitura. Já os alunos de escolas particulares não alcançam a média mundial em nenhum dos setores avaliados.
No geral, mais de 50% dos estudantes brasileiros não conseguem alcançar 2 pontos, de um máximo de 7, nas avaliações de Leitura e Ciências e esse número sobe para 70% na avaliação de matemática. O que mais assusta nesse cenário é que quase 44% dos alunos não conseguiram alcançar nota 1 nas provas de matemática.
Vários fatores contribuem para um bom desempenho avaliativo no PISA, mas um dado em particular é fácil de ser observado: os grupos com melhores desempenho se destacam tecnologicamente. A quantidade de computadores com acesso à internet em escolas federais e em escolas de países como Portugal e Finlândia, dois dos melhores avaliados no PISA, é muito superior às demais.
Nas escolas federais têm em média 2 alunos por computador, valor muito próximo do estado do Espírito Santo que apresentando o melhor desempenho no Brasil. Mas como são esses computadores? No PISA não específica com grandes detalhes as características das máquinas, mas com a pouca descrição, é perceptível que mesmo como tecnologias simples como desktops e conexões a internet via cabo e WIFI, o impacto desses recursos já geram grande diferença. Menos de 20% das escolas federais possuem tablets, notebooks ou outros equipamentos dedicados a educação.
Investimentos em tecnologia de ponta não são necessários, mas permitir que a infraestrutura tecnológica presente na instituição escolar se torne defasada é algo prejudicial ao ensino. O resultado excepcional de instituições federais demonstra que os investimentos que geram melhores resultados são em professores de qualidade, graças à salários adequados, e em tecnologias já consolidadas, como bons computadores com acesso à internet de qualidade.
Mas na contramão dos investimentos de tecnologia está os Estados Unidos que chegam a ter mais computadores que alunos em sala de aula. No caso deles, investir em tecnologia já não resulta em um crescimento proporcional na qualidade de ensino. Esse fenômeno do crescimento dos índices educacionais através da tecnologia é bem analisado pelo professor Sugata Mitra que pesquisa sobre o impacto da tecnologia na educação desde o século passado.
Em uma de suas apresentações ele apresentou gráficos demonstrando o quão impactante é os investimento em tecnologia em escolas com maus resultados. Quando aplicado a tecnologia em escolas na Índia alunos com baixo conhecimento em inglês e tecnológico conseguiram apresentar resultados incríveis em pouco menos de dois meses de interação diária com o computador.
Resultados estes que vão desde a melhora na pronúncia das palavras em inglês, ao ponto que uma inteligência artificial orientada para o sotaque britânico conseguisse entender as falas das crianças , passando por reclamações formais sobre o baixo desempenho dos computadores e quais peças poderiam ser alteradas para melhorar a performance. Até de fato a aprendizagem formal, assim como proficiência em matemática e ciências.
As conclusões que podemos inferir dessa série de dados é que investimentos em tecnologia na educação de fato potencializam o crescimento da qualidade de ensino e aprendizagem. Contudo, em cenários onde o aluno já possui acesso a internet e contato diário com informática, esse crescimento é discreto. No contexto brasileiro, no qual apenas alunos de escolas federais conseguiram atingir a média mundial no PISA e o número de alunos nessas instituições não chegam a 2% do total de alunos no Brasil, esse investimento se torna justificado.
No Brasil, mesmo escolas que possuem acesso à internet, qualquer investimento em tecnologia será impactante. Ressaltando que investimentos em tecnologia não se restringem a aquisição de novas máquinas ou softwares, mas também na capacitação de professores e instrução de alunos para o melhor aproveitamento desses recursos.

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