Telefone sem fio: Da descoberta Científica à  Sala de Aula

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Telefone sem fio: Da descoberta Científica à  Sala de Aula

Quão longe o desenvolvimento científico está da escola? Depois de fazer algumas pequenas descobertas, você vai perceber que essa questão deveria te preocupar mais do que parece. Até onde pode confiar no conteúdo presente em um livro didático?
Já imaginou que as crianças estão indo para escola para aprender coisas que já são comprovadamente enganos científicos? O primeiro exemplo é o Mesossomo, estrutura descrita por George B. Chapman e James Hillier da seguinte maneira:
Mesossomos forma-se em células bacterianas preparadas por fixação química para microscopia eletrônica, mas não por crio-fixação. Mesossomos são invaginações na membrana plasmática de bactérias que são produzidos pelas técnicas de fixação química usados ​​para preparar amostras para microscopia eletrônica.

CHAPMAN; HILLIER, 1953. "A microscopia eletrônica de ultra-finos de bactérias da divisão celular em Bacillus cereus I."

Essa estrutura foi proposta na década de 60 e em menos de 2 anos já era considerado um engano científico pelos próprios autores da descoberta. Para a ciência o Mesossomo não existe mas, infelizmente, esse termo é facilmente encontrado em livros didáticos, sites especializados em vestibulares e no Enem. Quase 60 anos mais tarde o erro ainda não foi corrigido.
Talvez o exemplo mais conhecido seja o mapa dos receptores na língua. Muitos já viram na escola uma imagem onde a língua está dividida segundo sabores que ela melhor identifica, essa descoberta foi realizada em 1901 e em 1965 foi evidenciado que isso era outro engano científico. Pessoas que perdiam parte da língua não perdiam a capacidade de sentir sabores específicos. Contudo, assim como o exemplo anterior essa informação ainda é facilmente encontrada em livros escolares.
Não é só na ciência que acontecem tais equívocos, outro engano amplamente divulgado é que a representação numérica tem relação com a quantidade de ângulos utilizados para desenhar esses símbolos. O historiador Georges Ifrah combate essa explicação no seu livro “História Universal dos Algarismos (Tomo 2)”. No livro há muitos argumentos que derrubam completamente essa explicação. Não se sabe ao certo quanto esse rumor começou, mas representações antigas desses numerais não utilizam a representação feita por traços retos, necessária para atribuir credibilidade à teoria.
Não há um único motivo para esses erros presentes em livros didáticos, mas é certo que esses são frutos do sistema que estabelece o conteúdo presente nesses livros. O problema mais simples é o da tradução. A maioria das descobertas científicas presentes em livros didáticos é estrangeira e novas descobertas tendem a permear a pesquisa nacional apenas após serem traduzidas ou estudadas por pesquisadores brasileiros. Problemas mais complexos partem desde o partidarismo científico até falta de verba de instituições para aquisição de periódicos para os responsáveis em divulgação científica.
É difícil apontar soluções simples para esse problema. É um desafio que permeia a educação por muito tempo e possui muitas variáveis que o impedem de ser solucionado imediatamente. Porém, conscientização sobre o problema e atenção e investimentos por parte dos responsáveis por atualizar o material didático são alguns dos passos fundamentais para se não solucionar o problema, ao menos minimizá-lo.

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